Como o WMS aumenta a rastreabilidade dos produtos

Como o WMS aumenta a rastreabilidade dos produtos

Do recebimento à expedição: como o sistema de gerenciamento de armazém transforma movimentações físicas em informações rastreáveis — e por que isso importa para o controle, a segurança e as decisões de gestão na logística de produtos para saúde.

STRALOG • Tecnologia aplicada à logística WMS Rastreabilidade com WMS Produtos para saúde

Rastreabilidade não nasce apenas da tecnologia. Ela nasce quando processo, informação, sistema e disciplina operacional trabalham juntos.

PRODUTO • LOTE • VALIDADE • DESTINO
Da movimentação física à informação rastreável.

O WMS conecta recebimento, identificação, endereçamento, movimentações internas, separação, conferência e expedição em uma trilha de dados capaz de apoiar controle, auditoria, recall e gestão.

1. Introdução — rastreabilidade começa pela informação

Em uma operação logística, saber quanto existe em estoque é importante, mas, em operações mais complexas, isso já não basta. É preciso saber qual produto está armazenado, onde está, a qual lote pertence, quando foi recebido, qual é sua validade, por quais etapas passou e para onde foi destinado.

É nesse ponto que a rastreabilidade deixa de ser um detalhe operacional e passa a ser um elemento de segurança e qualidade da cadeia logística.

Quanto maior o volume de produtos, movimentações e pedidos, maior a quantidade de informações que precisa ser registrada e relacionada corretamente. Cada movimentação física sem registro abre uma distância entre o que existe no armazém e o que os sistemas informam.

O Warehouse Management System, ou WMS, organiza a relação entre o fluxo físico dos produtos e o fluxo das informações. Do recebimento à expedição, cada etapa pode gerar registros que compõem o histórico do produto. Em vez de uma fotografia estática do estoque, o WMS permite acompanhá-lo como um processo dinâmico.

Na logística de produtos para saúde, essa capacidade ganha peso ainda maior. Lotes, números de série, datas de validade e condições específicas de armazenagem podem ser determinantes para a integridade e a correta destinação dos produtos.

Ideia central

O sistema oferece a estrutura, mas a qualidade da rastreabilidade depende de como ele é configurado, integrado, alimentado e utilizado no dia a dia.

2. O que é um WMS e qual sua função na operação logística

WMS é a sigla de Warehouse Management System, ou Sistema de Gerenciamento de Armazém. Sua função é gerenciar e registrar os processos de movimentação e armazenagem dos produtos dentro de uma operação logística.

Em uma operação estruturada, ele atua desde o recebimento e acompanha as etapas de identificação, endereçamento, armazenagem, movimentação interna, separação, conferência e expedição.

O princípio é simples: toda movimentação física relevante precisa ter correspondência no ambiente digital. Quando uma mercadoria é recebida, o sistema registra as informações do produto e pode direcionar sua armazenagem. Quando esse produto muda de endereço, é separado para um pedido ou segue para a expedição, novos registros são incorporados ao seu histórico.

As perguntas que o WMS ajuda a responder

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?
O que temos e em que quantidade?
?
Onde está, de qual lote e com qual validade?
?
Quando entrou e por onde passou?
?
Para qual pedido foi separado e quando foi expedido?

Com controles manuais ou planilhas dispersas, responder a essas perguntas com rapidez e confiabilidade fica cada vez mais difícil à medida que a operação cresce. Por isso o WMS funciona como uma camada de controle operacional do armazém.

Vale uma ressalva: o que um WMS entrega em cada operação depende da solução adotada, dos módulos disponíveis, das regras parametrizadas, da qualidade dos cadastros e do uso de recursos de captura de dados, como leitura de códigos de barras e coletores. Dois armazéns com o mesmo software podem ter níveis muito diferentes de controle.

3. WMS não é ERP: entendendo as diferenças

Uma dúvida comum é imaginar que um ERP completo elimina a necessidade de um WMS. As duas tecnologias se integram, mas cumprem papéis diferentes.

O ERP tem uma visão ampla da empresa: administra áreas como compras, vendas, faturamento, fiscal, financeiro e contabilidade, além de manter posições de estoque para fins administrativos e fiscais. O WMS aprofunda-se na execução e no controle das atividades dentro do armazém.

ERP

Pode informar que a empresa possui 1.000 unidades disponíveis de determinado produto.

  • Compras;
  • Vendas;
  • Faturamento;
  • Fiscal e financeiro;
  • Visão administrativa do estoque.

WMS

Controla como essas unidades estão distribuídas fisicamente — em quais endereços, lotes e validades.

  • Recebimento;
  • Endereçamento;
  • Lote, validade e status;
  • Separação e conferência;
  • Histórico operacional do produto.
ERP envia demanda e cadastros
⇄
WMS executa e confirma operação

Pense em um pedido de venda. O ERP recebe ou gera a demanda comercial e transmite ao armazém as informações necessárias para executá-la. O WMS administra a execução: identifica os produtos, orienta ou valida a separação, controla os atributos exigidos e registra as movimentações.

Concluído o processo, as confirmações retornam ao ERP para a continuidade do fluxo administrativo, como faturamento e baixa de estoque. Bem estruturada, essa integração reduz lançamentos manuais e torna a cadeia de informações mais consistente: os sistemas são complementares, e não concorrentes.

4. O que significa rastreabilidade na prática

Rastreabilidade é a capacidade de identificar um produto e reconstruir seu histórico ao longo de um processo. Dentro de um armazém, isso significa ir além da informação de que uma mercadoria está disponível: uma operação rastreável associa o produto aos registros relevantes de sua trajetória.

Para um lote de produto para saúde, isso significa saber quando foi recebido, onde está, que movimentações sofreu e para onde foi expedido.

Rastreabilidade direta

Acompanha o produto do recebimento em direção ao cliente, preservando o histórico de sua trajetória dentro da operação.

Rastreabilidade reversa

Parte de um lote, número de série, pedido ou outra referência e reconstrói o caminho para descobrir onde as unidades estão ou para onde foram destinadas.

O WMS registra a trajetória do produto enquanto ele está sob responsabilidade da operação de armazenagem, da entrada até a expedição para um destinatário identificado. O que acontece depois depende de registros de outros sistemas e de outros elos da cadeia.

A rastreabilidade de ponta a ponta é, portanto, uma construção coletiva, em que cada agente precisa preservar a informação recebida e transmiti-la corretamente ao próximo.

5. Como o WMS constrói a rastreabilidade desde o recebimento

A rastreabilidade começa antes de o produto ocupar uma posição no estoque. O recebimento é o momento em que o produto físico precisa ser corretamente relacionado aos dados que o acompanharão durante toda a permanência no armazém.

Conforme as características da operação e do produto, podem ser registrados atributos como código, descrição, quantidade, lote, data de fabricação, validade, número de série, fornecedor e documento de entrada. Quais desses dados são obrigatórios é uma definição do processo, e não do software.

Recebimento: onde nasce a rastreabilidade

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Leitura e captura de dados

Código, lote, validade, série, quantidade e documento de entrada precisam nascer corretamente.

Produto físico identificado corretamente.
Cadastro e regras de controle parametrizados.
Leitura reduz digitação manual, mas não elimina conferência.
Registro confiável permite rastrear as próximas etapas.
Fórmula prática

Produto físico + identificação correta + registro confiável = início da rastreabilidade. A partir daí, cada nova movimentação precisa preservar essa associação.

6. Identificação de produtos, lotes, números de série e validade

Nem todos os produtos precisam ser rastreados da mesma maneira. Um item pode ser controlado apenas pelo código do produto; outro exige controle por lote; em determinadas operações, há necessidade de rastreabilidade individualizada por número de série.

O nível de controle é definido no cadastro de cada produto. A validade acrescenta outra dimensão: não basta saber quantas unidades existem; pode ser necessário saber quantas pertencem a cada lote e quando cada grupo vence.

Produto Lote Quantidade Validade
Produto A L001 250 03/2027
Produto A L002 400 09/2027
Produto A L003 180 02/2028

Embora existam 830 unidades do Produto A, operacionalmente não há um estoque homogêneo, e sim três grupos com características distintas. É essa granularidade que permite ao WMS apoiar políticas adequadas de armazenagem, separação e controle de validade.

Em produtos serializados, o detalhamento pode chegar à unidade individual. Porém, o número de série só serve à rastreabilidade se for capturado nos momentos certos — em geral no recebimento e novamente na separação ou na expedição.

No caso dos dispositivos médicos, a Anvisa estabeleceu o sistema de Identificação Única de Dispositivos Médicos, ou UDI. Para um WMS, a leitura correta desses códigos pode alimentar diretamente os atributos de rastreabilidade — desde que o cadastro e o processo de captura estejam preparados para isso.

7. Endereçamento e rastreabilidade da localização física

Recebido e identificado, o produto precisa ser armazenado — e aqui entra outro conceito central do WMS: o endereçamento. Um armazém estruturado é dividido logicamente em áreas, ruas, módulos, níveis e posições, e cada localização recebe uma identificação própria.

Em vez de depender do conhecimento individual de um operador, a localização passa a fazer parte da informação registrada. O produto deixa de simplesmente estar em algum lugar para estar associado a um endereço logístico conhecido.

Endereçamento logístico em movimento

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A-01-01
A-01-02
A-02-01
A-02-02
B-01-01
B-01-02
B-04-03
B-04-04
Disponível
Quarentena
Bloqueado
Devolvido

Se a transferência for executada e confirmada no sistema — idealmente com a leitura do endereço de origem, do produto e do endereço de destino —, o WMS conhece não apenas a localização atual, mas também a movimentação realizada, quando ocorreu e quem a executou.

Muitos WMS também trabalham com status de estoque — disponível, em quarentena ou bloqueado, por exemplo —, o que impede que um saldo seja separado enquanto aguarda uma decisão da área de Qualidade.

8. Rastreabilidade das movimentações internas

Um estoque não permanece parado. Produtos são recebidos, armazenados, transferidos, reabastecidos, separados, eventualmente devolvidos e, por fim, expedidos. Cada uma dessas etapas é uma movimentação física, e o desafio é garantir que ela também exista no ambiente digital.

Quando um produto muda de endereço sem que a movimentação seja registrada, surge uma diferença entre o estoque real e o estoque informado pelo sistema — situação que está na origem de muitos problemas de acuracidade.

A jornada rastreável do produto: do recebimento à expedição

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01 Recebimento
Conferência física e documental da carga recebida.
Produto, quantidade, lote, fabricação, validade, série, documento de entrada, data, hora e usuário.
02 Identificação
Vínculo entre o item físico e o cadastro, por leitura ou etiquetagem.
Código lido, unidade de controle e etiqueta interna.
03 Armazenagem
Destinação a um endereço conforme as regras da operação.
Endereço e status do estoque, como disponível, quarentena ou bloqueado.
04 Movimentação interna
Transferências, reabastecimentos e ajustes.
Origem, destino, quantidade, motivo, responsável e horário.
05 Separação
Coleta para um pedido segundo regras como FEFO e validade mínima.
Pedido, endereço de origem, lote e série efetivamente separados.
06 Conferência
Validação do que foi separado frente ao pedido.
Divergências tratadas, volumes e conferente.
07 Expedição
Carregamento e saída do armazém.
Pedido, nota fiscal, destinatário, transportador, data e hora.

Resultado: um histórico contínuo que liga o que entrou no armazém ao que saiu dele — por produto, lote, série, endereço, pedido e destinatário.

Os dados efetivamente registrados dependem do cadastro de cada produto, das regras configuradas no WMS e da execução do processo.

Essa lógica mostra por que tecnologia e processo são inseparáveis. Um sistema sofisticado perde boa parte de seu valor diante de uma transferência rápida sem confirmação ou de um ajuste de saldo sem justificativa.

9. Separação e expedição: garantindo que o produto correto chegue ao destino correto

Se o recebimento inaugura a rastreabilidade dentro do armazém, a separação e a expedição são os momentos decisivos para preservá-la até a saída.

Quando um pedido é liberado, não basta separar a quantidade correta: conforme as regras da operação, é preciso respeitar também produto, lote, validade, número de série e demais critérios aplicáveis.

O WMS pode apoiar esse processo indicando o endereço e o lote a separar e validando, por leitura, se o item coletado corresponde ao previsto. Isso reduz decisões manuais e ajuda a evitar a seleção de um lote inadequado ou de uma unidade diferente da prevista.

1
Endereço certo O sistema orienta onde coletar.
2
Lote correto O lote separado precisa corresponder à regra definida.
3
Conferência final A validação confronta pedido e item separado.
4
Destino registrado Pedido, nota, data e destinatário fecham o ciclo.

Ao final, o sistema deve ser capaz de relacionar aquilo que estava armazenado com aquilo que efetivamente deixou a operação, vinculando lotes e, quando aplicável, séries ao pedido, ao documento fiscal e ao destinatário.

10. FEFO, FIFO e regras de movimentação controladas pelo sistema

Saber onde o produto está é apenas parte da gestão de estoques; também é preciso definir qual unidade deve sair primeiro. Com produtos sujeitos a validade, essa decisão afeta perdas, disponibilidade e segurança.

Duas estratégias são as mais utilizadas: FIFO, em que o primeiro produto a entrar é o primeiro a sair, e FEFO, em que o produto com vencimento mais próximo tem prioridade de saída, independentemente de quando entrou.

FIFO x FEFO: quando o sistema decide pela regra certa

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FIFO

First In, First Out

L001 Entrada: 10/01/2026 • Validade: 12/2027
L002 Entrada: 15/03/2026 • Validade: 08/2027
Pelo FIFO, o L001 sai primeiro. A prioridade segue a data de entrada no estoque.

FEFO

First Expired, First Out

L001 Entrada: 10/01/2026 • Validade: 12/2027
L002 Entrada: 15/03/2026 • Validade: 08/2027
Pelo FEFO, o L002 sai primeiro. A prioridade segue o vencimento mais próximo.

Para produtos para saúde, o FEFO tem especial relevância, porque lotes do mesmo item podem chegar ao armazém fora da ordem de validade. Um WMS configurado com as regras da operação pode usar essas informações para sugerir ou exigir o lote correto na separação.

Há situações em que outros critérios se somam ao FEFO ou se sobrepõem a ele: exigências específicas de clientes, bloqueios de qualidade, lotes reservados, prazo mínimo de validade remanescente exigido na entrega ou outras particularidades comerciais e regulatórias.

11. Inventários e acuracidade: quando estoque físico e informação precisam falar a mesma língua

A rastreabilidade só tem valor quando a informação do sistema representa, com elevado grau de confiabilidade, aquilo que realmente existe no armazém. Se o produto não estiver no endereço indicado, se a quantidade estiver incorreta ou se houver divergência de lote e validade, milhares de registros perdem valor operacional.

O inventário é o principal mecanismo de verificação dessa consistência. Com o suporte do WMS, podem ser estruturados inventários gerais, inventários rotativos e contagens direcionadas a produtos, endereços ou grupos específicos.

📦
Inventário geral Conta todo o estoque em um momento determinado.
🔁
Inventário rotativo Verifica parcelas do estoque sem paralisar toda a operação.
🎯
Contagem direcionada Foca em produto, endereço ou grupo específico.

Mais importante do que identificar uma divergência é investigar sua origem. Uma diferença de estoque pode revelar movimentações não registradas, erros de identificação, falhas de separação, armazenagem em endereço incorreto ou inconsistências em outros processos.

Insight STRALOG

Acuracidade não é apenas um indicador: é uma medida da confiabilidade da informação logística.

12. Rastreabilidade reversa, recall e gestão de ocorrências

Uma das maiores demonstrações do valor da rastreabilidade acontece quando surge um problema. Imagine que um fabricante identifique uma não conformidade em um lote já distribuído e seja necessário localizar rapidamente as unidades envolvidas.

Sem rastreabilidade, a investigação depende de documentos, planilhas e verificações físicas. Em uma operação estruturada, a partir do lote ou de outro atributo rastreável, consulta-se o histórico para saber quanto foi recebido, quanto permanece armazenado e onde, quanto já foi expedido, em quais pedidos e para quais destinos.

A consulta reversa de um lote em caso de ocorrência ou recolhimento

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Ponto de partida: ocorrência envolvendo o lote L002
Em estoque O sistema mostra endereços e quantidades atuais. Ação possível: bloqueio do saldo no sistema e segregação física.
Em processo O sistema mostra pedidos em separação, conferência ou aguardando carregamento. Ação possível: retenção antes da saída.
Já expedido O sistema mostra pedidos, notas fiscais, datas e destinatários. Ação possível: apoio ao recolhimento coordenado.
Reconciliação: recebido = em estoque + em processo + expedido + ajustes documentados. Ações registradas como evidência.

Em um recall ou recolhimento, essa capacidade reduz o tempo para delimitar o universo afetado. No armazém, os produtos podem ser bloqueados no sistema e segregados fisicamente; para as unidades expedidas, os registros indicam pedidos, documentos e destinatários.

O operador logístico não conduz o recolhimento sozinho, mas precisa ser capaz de fornecer, com rapidez e confiabilidade, as informações sobre o que está sob sua guarda e o que dela saiu.

13. A importância do WMS na logística de produtos para saúde

Embora o WMS gere benefícios em praticamente qualquer operação de armazenagem, sua importância fica mais evidente em segmentos sujeitos a elevados requisitos de controle, como a logística de produtos para saúde.

Dependendo do produto e da operação, é necessário controlar lote, validade, número de série, localização, status de qualidade e condições de armazenagem. O estoque, portanto, não pode ser administrado apenas como uma quantidade disponível.

Conjunto de controle

Produto + lote + validade + localização + condição operacional formam um conjunto de informações que precisa permanecer coerente ao longo de todo o fluxo.

Ao relacionar o produto físico às informações necessárias ao seu gerenciamento, esse controle sustenta outro aspecto fundamental do segmento: a evidência. Em ambientes sujeitos a sistemas de gestão da qualidade, auditorias e inspeções, não basta afirmar que uma atividade foi realizada corretamente; é preciso haver registros que demonstrem o histórico das movimentações e apoiem a investigação de ocorrências.

Contexto regulatório no Brasil

Os requisitos variam conforme a categoria do produto. Para medicamentos, a RDC nº 430/2020 trata das Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e de Transporte. Para dispositivos médicos, a RDC nº 591/2021 institui o sistema UDI. Este artigo não substitui a análise regulatória aplicável a cada produto e operação.

14. Integração entre WMS, ERP, TMS e outras tecnologias

Uma operação logística moderna dificilmente depende de um único sistema. O WMS administra os processos do armazém; o ERP concentra as informações corporativas e transacionais; o TMS gerencia o transporte; e as ferramentas de BI consolidam dados de diferentes fontes para análise.

Isoladas, essas tecnologias geram lançamentos duplicados e versões diferentes da mesma informação. A integração busca reduzir essas rupturas.

Fluxo de informações entre ERP, WMS, TMS e BI

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ERP Gestão corporativa: pedidos, cadastros, compras, faturamento, fiscal e financeiro.
WMS Execução do armazém: recebimento, endereços, lotes, validades, separação, conferência e expedição.
TMS Gestão do transporte: cargas, rotas, fretes, acompanhamento e comprovantes de entrega.
BI — Business Intelligence Consolida dados das diferentes fontes em indicadores e painéis para a gestão.

Em uma operação terceirizada, o ERP costuma ser do cliente, enquanto o WMS e o TMS podem pertencer ao operador logístico, a uma transportadora ou a terceiros. A troca de dados pode ocorrer por API, EDI, arquivos estruturados, portais ou lançamentos controlados.

O benefício não está em transferir dados de um software para outro, mas em construir continuidade da informação ao longo da cadeia logística. Uma operação tecnologicamente madura não é necessariamente a que tem mais sistemas, e sim aquela em que os sistemas corretos trocam as informações corretas, no momento adequado e de acordo com processos bem definidos.

15. Dados, indicadores e gestão: o WMS além da operação

Cada recebimento, movimentação, separação e expedição gera dados que, bem organizados, passam a apoiar também a gestão.

Conforme os recursos e as configurações disponíveis, é possível acompanhar volumes processados, movimentações, produtividade, ocupação, resultados de inventários, divergências e tempos das diferentes etapas do fluxo.

WMS além da operação: dados que viram gestão

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↔ Movimentações Entradas, transferências, separações e expedições.
⏱ Tempos Etapas que demandam mais tempo e possíveis gargalos.
% Acuracidade Confiabilidade entre físico e sistema.
📍 Endereços Áreas com maior incidência de divergências.
📈 Capacidade Evolução de volumes e necessidades futuras.

O dado isolado, entretanto, não é inteligência: ele precisa ser transformado em indicador, contexto e decisão. Isso exige definições claras — o que é medido, como é calculado, com qual periodicidade e a partir de qual fonte.

Assim, a tecnologia deixa de apenas registrar o que aconteceu no armazém e passa a ajudar a responder a outra pergunta: o que podemos aprender com a operação para fazê-la melhor?

16. Tecnologia não corrige processos ruins: sistema + processo + pessoas

Um erro recorrente em projetos de tecnologia é acreditar que um novo sistema, por si só, resolverá problemas operacionais.

Um WMS pode automatizar controles, validar regras, registrar movimentações e gerar grande quantidade de informações, mas não substitui um processo mal definido. Se o recebimento não tem critérios claros, se as movimentações físicas são feitas sem disciplina, se os cadastros são inconsistentes ou se os usuários não seguem os procedimentos, a tecnologia pode simplesmente registrar com mais velocidade um processo que continua inadequado.

Os três pilares da rastreabilidade com WMS

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💻

Tecnologia

Sistemas adequados às necessidades e à complexidade da operação, corretamente parametrizados e integrados.

⚙

Processos

Fluxos claramente definidos, padronizados, documentados e controlados.

👥

Pessoas

Equipes capacitadas, conscientes das regras e responsáveis pela correta execução das atividades.

Ponto-chave

A rastreabilidade não nasce da instalação de um software; ela resulta da combinação entre processos estruturados, informações confiáveis, tecnologia adequada e disciplina operacional.

17. Conclusão — rastreabilidade como ferramenta de segurança e gestão

Ao longo deste artigo, acompanhamos a trajetória de um produto desde a entrada no armazém até a expedição. Recebimento, identificação, endereço, movimentação, separação e saída parecem atividades distintas; o WMS ajuda a conectá-las, e é dessa conexão que surge a rastreabilidade.

Cada registro acrescenta uma parte à história do produto. Quando as informações são confiáveis e os processos são executados corretamente, torna-se possível não apenas localizar um item, mas reconstruir sua trajetória dentro da operação.

Os benefícios ultrapassam o controle de estoque: a rastreabilidade contribui para a acuracidade, a gestão de validade, a aplicação do FEFO, os inventários, a investigação de divergências, os recolhimentos, as auditorias, os indicadores e a tomada de decisão.

Em produtos para saúde, essa capacidade ganha dimensão ainda maior, porque a qualidade logística se insere em uma cadeia que chega a hospitais, clínicas, profissionais de saúde e pacientes.

Da movimentação física à informação estratégica

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📦
Produto identificado O item físico é associado aos dados corretos.
↔
Movimentação registrada Cada etapa relevante entra no histórico.
🧾
Histórico preservado Produto, lote, endereço, pedido e destino ficam relacionados.
🔎
Rastreabilidade construída A trajetória pode ser reconstruída.
📊
Dados analisados Informação vira indicador e aprendizado.
✓
Decisões mais seguras A gestão age com rapidez, segurança e precisão.

É nesse ponto que o WMS deixa de ser simplesmente um sistema de gerenciamento de armazém e passa a contribuir para algo maior: uma operação logística mais controlada, rastreável e preparada para tomar decisões baseadas em informação.

Rastreabilidade se desenha a partir da operação

Cada operação tem produtos, requisitos e sistemas próprios, e a rastreabilidade precisa ser estruturada a partir dessa realidade.

Se a sua empresa está avaliando como organizar o controle de lotes, validades, movimentações e informações na armazenagem de produtos para saúde, conheça a abordagem da STRALOG para controle, rastreabilidade e gestão logística.

Fale com a equipe STRALOG

Referências

  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária — RDC nº 430/2020: Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e de Transporte de Medicamentos.
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária — RDC nº 591/2021, alterada pela RDC nº 884/2024: Identificação Única de Dispositivos Médicos, UDI.
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